segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O grande problema da direitinha...


...fica ilustrado de forma paradigmática neste artigo da Helena Matos. Como artigo está reservado aos assinantes do Observador, vou apenas transcrever este trecho que considero sintomático:
 

«Há décadas que sucessivos governos põem e dispõem sobre a família, com a arrogância de quem se considera superior e melhor informado que as famílias, essa instituição que na impossibilidade de substituir há que iluminar, no sentido jacobino do termo.»

 

Esta análise não está incorrecta: ao aprovar uma lei que impede os menores de aceder às redes sociais, o Estado está, efectivamente, a substituir-se às famílias dos menores.

Mas este problema, sendo grave, é o menor dos problemas que a lei suscita. O grande problema da lei é que todo e qualquer caramelo que queira aceder às redes sociais, menor ou não, vai ter que passar a identificar-se. O grande problema da lei é o controlo abusivo e orwelliano exercido sobre todos os cidadãos a pretexto de proteger alguns.

Dir-me-ão algumas alminhas menos dadas a pensar por si próprias: "mas não é assim nas salas de jogo, nos casinos, nos bares e nas discotecas? Não temos que mostrar a nossa identificação à entrada?" Temos, pois, mas em nenhum desses casos há uma limitação implícita da Liberdade de Expressão das pessoas controladas. Mostrar o cartão de cidadão à porta de uma discoteca não faz com que a pessoa controlada seja impedida de se expressar livremente e, mais importante, seja impedida de vocalizar a sua oposição contra os dirigentes políticos do seu e de outros países.

Mas controlar uma pessoa "à porta" das redes sociais, faz. E é aqui que reside o busílis da questão. Ter de se identificar antes de entrar no Facebook, no Instragram ou aqui no Blogger faz silenciar imediatamente as pessoas que frequentam essas plataformas no que respeita à sua opinião política. A menos, é claro, que essas pessoas só tenham coisas boas a dizer do governo e das elites.

Ao reduzir tudo à família, a Helena Matos comete um erro(?) muito típico da direitinha, que é o de inocentar os políticos de más intenções, em particular de intenções totalitárias. O problema é que essas intenções totalitárias são manifestas e já foram até verbalizadas pelo próprio líder do governo, Luís Montenegro, em ocasiões anteriores.

Cingindo-se apenas ao argumento liberal de que o Estado se está a substituir à família, a Helena falha(?) em denunciar o problema central, que é controlo e a censura estatais em nome do bem-estar dos menores. 

O Orwell e o Huxley fazem muita falta. O apreço pelo valor liberdade, em particular pela Liberdade de Expressão, faz ainda mais... 

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