Quando eu lhe perguntei "Mas como é que tu sabes isso? Pode ter sido um acidente! E, mesmo em caso de agressão, pode ter sido outra pessoa!", o fulano passou-se dos carretos. Desatou a chamar-me um pouco de tudo e até ameaçou dar-me porrada. O facto de eu me ter rido na cara dele - naquele contexto, rir na cara dele tinha-se tornado um imperativo moral - só agravou a situação, obrigando à intervenção de outros colegas para serenar os ânimos.
Este não foi um caso isolado. Ao longo da minha vida adulta, tenho encontrado muitos espécimes daquilo a que manosfera anglófona chama "cavaleiros brancos" (white knights), indivíduos que tomam automaticamente o lado das mulheres, independentemente do seu conhecimento do que aconteceu. Eu podia escrever aqui vários parágrafos sobre as razões pelas quais isto é uma péssima ideia. Mas este vídeo de apenas alguns segundos é um excelente exemplo da estupidez dos "cavaleiros brancos" e do porquê de a palavra de uma pessoa não dever, ou melhor, não deveria valer mais do que a de outra.
Imaginem que o desgraçado que filmou isto não tinha filmado isto. Imaginem-no numa sala de tribunal a dizer ao juiz, "a gaja passou-se, desatou a correr e foi bater de propósito com a cara na parede!" Alguém acreditaria nele? E vocês, acham que estes casos são raros? Se acham, muito sinceramente, vocês precisam de acordar para a vida!
