Pois é, caros leitores, o tempo voa... amanhã será, novamente, dia de eleições. Desta feita, de eleições presidenciais. Diz a Lei Eleitoral abrilina... eeer... perdão, portuguesa que, entre hoje e amanhã até às 19h00, “não
podem ser transmitidas notícias, reportagens ou entrevistas que de
qualquer modo possam ser entendidas como favorecendo ou prejudicando um
concorrente às eleições em detrimento ou vantagem de outro”.
A mesma Lei acrescenta que “toda a actividade passível de influenciar, ainda que
indirectamente, os eleitores quanto ao sentido de voto, bem como a
exibição, junto das mesas de voto, de símbolos, siglas, sinais,
distintivos ou autocolantes de quaisquer listas estão proibidas”.
A pena para os incumpridores pode chegar aos seis meses de prisão... e como agora prisões estão cheias de "jovens", meio-"jovens" e afins, eu vou optar pela preservação do último troço do meu aparelho digestivo - que, aliás, já sofreu o suficiente durante a época de Natal e fim de ano recentes -, e vou fazer apenas aquilo que faço sempre em véspera de eleições: apelar ao voto, i.e., à comparência dos leitores do TU(f) nas urnas.
Porquê, então, votar amanhã?
Desde logo e como eu tenho repetido constantemente ao longo dos anos, porque não votar é votar por omissão. Quando nós não votamos, há sempre muitas outras pessoas que votam. E, votando elas e não nós, são elas - e só elas - quem acaba por decidir o nosso destino colectivo.
Perante este argumento, há quem contraponha, ignorantemente: "ah, mas se houver muita gente a não votar, as eleições ficam postas em causa, pá"! Ficam? Como é que ficam, se a Constituição abrilina... ai, perdão, portuguesa é absolutamente clara a esse respeito? Ora, reparem:
Constituição da República Portuguesa
Artigo 152.º
Representação política
1.
A lei não pode estabelecer limites à conversão dos votos em mandatos
por exigência de uma percentagem de votos nacional mínima.
Traduzido para totós: quer votem 10 milhões de eleitores, quer votem apenas 10 pessoas, as eleições serão sempre consideradas válidas. SEMPRE! Metam isto nas vossas cabecinhas ocas e analfabrutas de uma vez por todas: apelar à abstenção é apelar à vitória de quem for votar! É dar o ouro todo ao bandido e ainda se congratular por isso!
Isto significa que quem
não vota, consente. E, nesse sentido, repito novamemnte, não votar é votar por omissão. Os abstencionistas bem podem protestar, espernear e choramingar à vontade, porque a verdade é só uma: quem não vota, é tão responsável pela eleição dos pulhíticos como quem vota neles.
Dizer o contrário é como dizer que um tipo que nunca fala com as
mulheres merece ter uma namorada toda boazona. Ou que um tipo que não tem
trabalho e que nem sequer anda à procura emprego merece ser promovido a
chefe de secção. Não se pode renunciar a participar nos processos
necessários para se atingir determinados fins e depois reivindicar
direitos sobre esses fins. Não há um pingo de seriedade nas pessoas que
agem desta forma!
E o que é válido para a abstenção também serve para os votos brancos/nulos, conforme esclarece a Comissão Nacional de Eleições:
«O que é um voto em branco?
É aquele cujo boletim não contenha qualquer marca ou sinal.
O que é um voto nulo?
É aquele em cujo boletim de voto:
- Tenha sido assinalado mais de um quadrado;
- Haja dúvidas sobre qual o quadrado assinalado;
- Tenha sido assinalado o quadrado correspondente a uma candidatura que tenha sido rejeitada;
ou desistido das eleições;
- Tenha sido feito qualquer corte, desenho ou rasura;
- Tenha sido escrita qualquer palavra.
O que acontece se numa eleição os votos brancos e/ou nulos forem superiores aos votos nas candidaturas?
Os
votos em branco, bem como os votos nulos, não sendo votos validamente
expressos, não têm influência no apuramento do número de votos obtidos
por cada candidatura e na sua conversão em mandatos.
Ainda
que o número de votos em branco ou nulos seja maioritário, a eleição é
válida e os mandatos apurados tendo em conta os votos validamente
expressos nas candidaturas.»
...Ou seja, mais uma vez: votar branco/nulo é, na prática, votar por omissão!
Quem não vota ou vota branco/nulo, consente. Bem podem os iludidos e os que votam branco/nulo protestar que "não consentem coisa nenhuma" e que "só não alinham na palhaçada democrática" porque, na prática, consentem e alinham de bom grado: os votos não apurados não representam nada de concreto, nenhuma posição ou tendência política em particular. Nem poderiam representar nada, porque não há forma legítima de atribuir intenções a quem não vai votar, muito menos a um voto branco/nulo. Há uma multiplicidade de motivações possíveis para se abster ou votar branco/nulo, pelo que ninguém pode atribuir a esses "não-votos" um significado particular. Não adianta insistir no contrário, porque as coisas só têm valor quando
têm efeitos práticos e a abstenção/brancos/nulos não têm efeito prático nenhum. Não
causam, nem poderão alguma vez causar qualquer mossa aos partidos que não queremos ver no poder. Pelo contrário,
até os favorecem, porque quanto menos votos contra eles houver, maior
será a sua percentagem relativa no resultado final do sufrágio. Por isso, deixem de sonhar acordados: não vai haver nenhuma revolução ou mudança radical de regime só por causa da abstenção ou dos votos brancos/nulos; tal coisa nunca aconteceu no mundo civilizado, pelo que muito dificilmente vai acontecer aqui em Portugal, onde nunca nada acontece primeiro.
É preciso lembrar ainda que não
se vota apenas para escolher um determinado candidato, vota-se também
para impedir ou para mitigar a hegemonia dos outros partidos/candidatos. E que, quando votamos, estamos a dar maior visibilidade política e mediática não apenas ao partido em que votamos, mas também ao movimento ideológico a que ele pertence. Isto não é coisa pouca, porque há ideias e conversas que só entram no
espaço público se forem trazidos por certos intervenientes, mesmo que
esses intervenientes tenham poucas hipóteses de vencer. Muitos teimam em não perceber isto: muito do que é aceitável hoje em dia não o era há apenas uns anos atrás. E só se tornou aceitável hoje em dia porque houve alguém que teve a coragem de, nalgum momento passado, quebrar tabus. E, sobretudo, porque houve muitas pessoas que recompensaram essa coragem com o seu voto.
Vocês
podem sempre optar por fazer como o fulano da imagem que se segue. Mas
depois não se podem queixar de que ficou tudo na mesma. Lamento, mas não
podem! Cruzar os braços e não fazer nada não é uma estratégia de
actuação válida! Estas coisas são como os jogos de futebol: não podemos
marcar golos estando sentados no banco de suplentes. Aliás, a analogia ainda é mais grave do que isso, o fulano na imagem abaixo nem sequer respondeu à convocatória, nem sequer compareceu no terreno de jogo, mas julga que pode influenciar o resultado de forma decisiva! Tal é o nível de alucinação desta gente!!!
