«A Assembleia-Geral da ONU aprovou na quarta-feira [25-Mar-2026] uma resolução que declara o tráfico de africanos escravizados e a escravização racializada como o "crime mais grave contra a humanidade" e defende reparações históricas, numa votação em que Portugal se absteve.O texto, apresentado à Assembleia pelo Gana e co-patrocinado por dezenas de Estados-membros da ONU, obteve 123 votos a favor, três contra e 52 abstenções dos 193 Estados-membros da ONU.
Votaram contra os Estados Unidos da América, Israel e a Argentina. Portugal, Reino Unido, Espanha e França estão entre os países que se abstiveram. Entre os Estados que co-patrocinaram a resolução estão Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe. Entre os restantes membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), também Brasil e Timor-Leste votaram a favor.
A resolução aprovada insta os Estados-membros da ONU a considerarem pedir desculpa pelo tráfico de escravos e a contribuírem para um fundo de reparações.
Pede medidas de restituição, compensação, reabilitação, satisfação, garantias de não repetição e alterações às leis, programas e serviços para combater o racismo e a discriminação sistémica.»
Agora, a reacção do Prof. João Pedro Marques:
«A Assembleia Geral da ONU deliberou que o tráfico transatlântico de escravos foi o mais grave crime contra a humanidade. Reparem que não foi um crime contra a humanidade — algo que já fora definido há 200 anos, ainda que noutra terminologia, e com que, ao que suponho, todos certamente concordamos — foi, segundo a ONU, o maior, o mais grave, de todos eles. Sim, leram bem, maior do que o Holocausto, por exemplo, ou do que dezenas de outros grandes e devastadores crimes que se cometeram no passado e que é histórica e moralmente impossível de hierarquizar entre si.
(...) Foi esse passo absurdo que a ONU veio agora dar para fazer a boca doce aos objectivos políticos dos países africanos e à sua visão dos acontecimentos da história universal. Que esta aberração tenha sido votada favoravelmente por 123 países, incluindo, claro está, o Gana e os países africanos que a propuseram e os das Caraíbas que andam há muito a prepará-la, e faróis dos direitos humanos e da não-violência como, por exemplo, o Irão, não deverá espantar-nos.
Aliás, nunca tive dúvidas de que sendo a ONU aquilo que é, a proposta do Gana iria passar facilmente e teria em Guterres um apoiante e acólito. Mas tinha curiosidade em ver qual seria a posição europeia e tinha, confesso, a esperança de que fosse clara e francamente contrária às pretensões do Gana. O que me espanta e revolta é que só tenha havido três votos contra essa pretensão — os dos Estados Unidos, da Argentina e de Israel — e que tenham sido contadas 52 abstenções entre as quais as dos países da europeus, tanto os que tiveram um passado colonial em África, como o Reino Unido ou a França, como os que nada tiveram a ver com esse quadro, como sejam a Hungria ou a Albânia. O facto de todos esses países se terem abstido revela bem até que ponto o trabalho de sapa levado a cabo ao longo de décadas nas escolas e universidades, adubado pelowokismo[marxismo cultural] de tempos mais recentes, conseguiu plantar eu fazer frutificar um sentimento de culpa das populações europeias brancas relativamente à história colonial de algumas delas.
Portugal foi um dos países que se absteve, quando, em minha opinião, deveria ter votado contra pelas razões que ando a defender há anos. A abstenção do nosso país na votação do dia 25 de Março e a sua dificuldade em (ou o seu receio de) assumir frontalmente que não faz qualquer sentido histórico ou filosófico classificar uma violência como sendo a maior de todas, e que o único propósito que isso tem é o de ir preparando os espíritos de governantes, governados e legisladores para o futuro pagamento de reparações, são a meu ver vergonhosas.
Igualmente vergonhoso é que o governo não se tenha dado ao trabalho de explicar esta sua posição ao país. Nesta área, como, aliás, na área do ensino da História, o governo evita falar. Não quer comprometer-se nem dar nas vistas. Avança pela calada, cosido com as paredes para não se fazer notado, procura camuflar-se e dissolver-se no meio dos seus congéneres europeus. A interpretação mais benevolente é a de que não tem qualquer posição quanto a isto e que anda a reboque de Bruxelas numa espécie de “Maria vai com as outras”; a tese mais dura, mas provavelmente mais próxima da verdade, é a de que, à semelhança de Marcelo Rebelo de Sousa, os nossos actuais governantes Luís Montenegro, Paulo Rangel e outros altos responsáveis pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros consideram que o tráfico negreiro praticado pelos europeus foi, efectivamente, o maior crime contra a humanidade alguma vez praticado e que isso merecerá castigo, pedidos de desculpa e uma gorda indemnização, estando dispostos a pagá-la.
É para mim claro que quando o nosso representante na ONU se abstém em vez de se opor frontalmente a algo que é absurdo e que visa, de forma explicita, obter reparações materiais pelo tráfico transatlântico de escravos e a escravidão — e, futuramente, pelo colonialismo — tem a perfeita noção, tal como o governo em Lisboa também a terá, de que esse voto equivale a um “nim” e que é meio caminho andado para vir a anuir, num próximo futuro, a pagamentos aos países africanos e caribenhos. Terão, também, provavelmente, a convicção de que é preciso esconder isso do país, pois é o que têm feito.»
6 comentários:
Lol isto abre uma caixa de pandora, porque agora vai ser reparacoes para tudo, ate de um filho aos pais por o fazerem nascer. Se quisermos acertar conta com o passado isto nao vai parar nunca e os europeus etc vao tambem acabar a pedir reparacoes aos norte africanos, turcos, mongois,... e mesmo ao resto do mundo que usa tecnologia feita quase na sua totalidade da mente de europeus.
Ja agora, ainda ha pouco tempo sai com uma rapariga, nao estou atraido por ela, mas que ja e 2 ou 3 anos mais velha que eu, e ando a notar desde sempre que atraio mulheres mais velhas que novas. E muitos dos meus amigos por ai caminham. Nao percebo, nao gosto nada, e o meu pai é mais velho que a minha mae por muitos, e é um gosto de geracoes preferir uma mulher mais nova que eu. Mas dificil hoje em dia.
Eu acho qEsta gente não é estupida (políticos), e eu pergunto... O que é que eles têem preparado na manga?
Eu acho que esta gente não é estupida (políticos), e pergunto: O que é que eles têem na manga?... E quem querem tratar?
«e os europeus etc vao tambem acabar a pedir reparacoes aos norte africanos, turcos, mongois»
Isso não, porque "não se pode ser racista contra os brancos", lembras-te? Racismo contra os brancos é como a divisão por zero, não se pode fazer! Pelo menos, de acordo com a "ciência" moderna!
«ando a notar desde sempre que atraio mulheres mais velhas que novas»
Isso a mim nunca me aconteceu, nem conheço ninguém a quem tenha acontecido, pelo que não te posso ajudar... as mulheres mais velhas sempre fugiram de mim como o Diabo da Cruz... só a partir dos 40 é que comecei a notar que havia algumas cinquentonas a tirar-me as medidas... mas quem é que quer cinquentonas? 😅
«é um gosto de geracoes preferir uma mulher mais nova que eu»
Tenho de ser sincero, não percebo como é que pode acontecer o contrário. Bem sei que há mulheres com homens mais novos, mas nem sei o que eles vêem nelas, nem o que elas vêem neles! 🤷♂️
Vou fazer uma posta sobre isso, se possível, ainda hoje. A minha teoria é que isto é mais uma forma de diabolizar a nossa civilização. O acto de pagar "reparações" não será apenas monetário, será sobretudo simbólico. Será tomado como uma prova definitiva de que a civilização ocidental é opressora. Ficará registado para sempre que os líderes ocidentais reconheceram que havia uma dívida histórica para com os africanos. É isso que está em causa nesta história, a nossa desmoralização civilizacional definitiva.
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