segunda-feira, 11 de maio de 2026

RIP: Norah Vincent (1968-2022)


Só descobri hoje, com bastante tristeza, que esta grande senhora morreu em 2022. Era uma das poucas feministas que eu respeitava, sendo que eu odeio visceralmente quase todas.

Para àqueles que nunca tenham ouvido falar dela, a Norah era uma feminista radical lésbica que, querendo provar que os homens viviam vidas muito mais fáceis do que as mulheres, se disfarçou de homem durante 18 meses. Mas a experiência de viver como um homem foi tão brutal e contrária àquilo que ela imaginava, que ela acabou com uma depressão da qual nunca mais recuperou, optando por ser voluntariamente eutanasiada na Suíça depois de passar mais de 15 anos a lutar contra a doença.
 
Ela documentou a experiência de se fazer passar por um homem no livro Self-Made Man (2006). O que mais a impressionou foi que os homens, em geral, a tratavam melhor enquanto "homem" do que as outras mulheres. Acabou por reconhecer: «Os homens também sofrem. Eles têm problemas diferentes dos das mulheres, mas não estão em melhor situação. Precisam da nossa compaixão, precisam do nosso amor e precisam uns dos outros mais do que de qualquer outra coisa. Eles precisam de estar juntos.»
 
Não é qualquer feminista doutrinada até à medula que consegue mudar totalmente a sua opinião desta forma, ainda por cima sendo lésbica. A Norah, ao contrário da esmagadora maioria dos intrujões encartados que pululam nas "ciências" sociais, era uma verdadeira cientista, porque foi capaz de mudar a sua opinião perante as evidências. Não é coisa pouca. E ela terá sempre o meu respeito pelo enorme sacrifício a que se prestou e pelo qual pagou o preço derradeiro. Norah, que vivas para sempre!


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