Faço notar que a notícia não refere a nacionalidade dos detidos, pelo que é extremamente provável que eles sejam estrangeiros:
«Um grupo de pessoas abriu várias empresas em Portugal que teriam um único objectivo: trazer para o mercado de trabalho europeu cidadãos de outros países, sobretudo da América do Sul, que acabavam a ser explorados em Espanha. Foi no país vizinho que a Polícia Nacional espanhola deteve cinco pessoas suspeitas de auxílio à imigração ilegal na Operação Caravela, realizada em conjunto com a Polícia Judiciária (PJ) portuguesa. Os cinco podem vir a ter de responder pelos crimes de associação de auxílio à imigração ilegal, angariação de mão-de-obra ilegal, associação criminosa, falsificação de documentos e, eventual, tráfico de pessoas para exploração laboral, avança a PJ em comunicado.
Segundo a PJ, as “várias empresas” angariavam os imigrantes, enganando-os com promessas de trabalho em “actividades especializadas”. A situação deles em Portugal era regularizada, recebendo autorização de residência através do mecanismo de manifestação de interesse, revogado em 2024. Para isso, apresentavam documentos falsos a dizer que residiam e trabalhavam em Portugal, apesar de viverem e trabalharem em Espanha, a mando das empresas.
As vítimas acabavam a trabalhar em “situação de grande vulnerabilidade social, com a violação reiterada de direitos do trabalho e das normas de segurança”. A PJ garante que “todas as contas bancárias das empresas” envolvidas foram apreendidas. Estas empresas tinham como sede dois gabinetes de contabilidade, em Vila Nova de Gaia, onde os suspeitos se dirigiam para recolher “documentação de teor falso” da Segurança Social e da Autoridade Tributária. Estes documentos, também apreendidos, eram utilizados para conseguir dar aos trabalhadores as devidas autorizações de residência.
De acordo com os documentos interceptados pela PJ, as residências destes imigrantes ilegais eram, precisamente, os gabinetes de contabilidade em Gaia. “No decorrer da operação Caravela, foram apreendidos milhares de documentos, dos quais se destacam várias contrafacções de autorizações de residência portuguesa em suporte digital, cartões de cidadão espanhóis falsos, documentos de destacamento da Segurança Social e certificados de saúde para o trabalho, material informático, carros de luxo, cerca de 700 mil euros, registando-se em Espanha movimentos de entrada e saída de aproximadamente 40 milhões de euros”, acrescenta a PJ na nota à imprensa.
A PJ explica que, segundo a prova já apreendida nas buscas, a gestão das empresas era realizada em Espanha. Os mandados de busca em território nacional foram efectuados nas cidades de Vila Nova de Gaia, Valongo e Estarreja.»
Sem comentários:
Enviar um comentário