sexta-feira, 29 de maio de 2026

Ainda sobre socialismo e tiranetes socialistas


Na sequência da posta de ontem, deixo aqui algumas observações muito pertinentes que o historiador Rui Ramos fez hoje acerca da corrupção que grassa em Espanha:


«A quantidade de escândalos que o presidente do governo Pedro Sánchez arrasta atrás de si é homérica. Só nos últimos meses, foram investigados e acusados dois dos seus principais colaboradores no partido, além da sua mulher e do seu irmão. O líder do PP Alberto Núñez Feijóo perguntou, com graça, quantos mais raids policiais à sede do PSOE serão necessários para Sanchéz se demitir. Até o líder histórico socialista, Felipe González, exigiu eleições antecipadas. Noutros tempos, noutros lugares, tudo isto auguraria uma abdicação do presidente do governo, até para dar ao seu partido uma oportunidade de retocar a maquilhagem. Não neste caso. Quase toda a gente aposta em que Sánchez ficará até ao fim, até quando puder e não puder. 
Para perceber isto, é preciso perceber de que política é Sánchez o nome. Sánchez é a cabeça de uma clique que, contra grande resistência interna, conquistou o PSOE. Para vencer no país, estigmatizou os seus adversários, primeiro o PP e depois o VOX, atribuindo-lhes propósitos de “regressão civilizacional”. Isso permitiu-lhe duas coisas. Primeiro, fazer uma coligação de apoio ao governo com o separatismo golpista e terrorista, em desprezo pelos princípios do Estado de direito e da unidade do Estado; segundo, tribalizar a política, reduzindo a esquerda a um bloco para quem manter a direita de fora do poder é mais importante do que a limpeza e a dignidade desse poder.» 

Estes dois parágrafos ilustram duas características intrínsecas ao socialismo: (1) uma vez no poder, os dirigentes socialistas não mais querem abdicar dele (1.º parágrafo), agarram-se ao tacho como lapas o mais tempo que conseguirem; e (2) grande parte da estratégia de manutenção dos socialistas no poder passa pela diabolização sistemática dos seus adversários políticos de Direita, tentando convencer o eleitorado de que a alternativa ao socialismo seria uma calamidade. Nós também temos isso aqui em Portugal. Por exemplo, quando a Esquerda invoca o Salazar e o Estado Novo para asseverar que o Chega nos faria voltar a esses tempos...

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