Pensem bem no que isto significa, caros leitores: estes 40% são apenas os bebés filhos de pais estrangeiros! Depois ainda há muitos mais bebés que são filhos de "ingleses", i.e., de imigrantes naturalizados ou descendentes de imigrantes, pelo que a percentagem de bebés não-brancos nascidos no Reino Unido deverá ser muito, mas muito maior do que isto!
No vídeo em baixo, que até é bastante bom, os comentadores falam em "efeito de dominó" para explicar as consequências do declínio da natalidade, mas eu acho que essa analogia peca por defeito. Numa fila de dominós, cada dominó cai sucessivamente, de uma forma aproximadamente linear, mesmo que a velocidade a que cada dominó vai caindo tenda a acelerar. Mas o fenómeno demográfico a que estamos a assistir é exponencial, não é linear! A cada bebé branco que fica por nascer, perdemos também TODA a sua descendência (filhos, netos, bisnetos, etc.)... e, concomitantemente, a cada bebé não-branco que nasce, "ganhamos" também TODA a sua descendência, pelo que o fenómeno é multiplicativo a cada geração. Parece-me, por isso, que a analogia mais correcta será um "efeito de bola de neve" e não um "efeito de dominó". Bem sei que uma bola de neve cresce cubicamente (i.e., à razão cúbica), não exponencialmente, mas vocês percebem o que eu quero dizer: o processo tende a acelerar com o tempo, tal como a bola de neve tende a ganhar cada vez mais massa à medida que rola pela encosta abaixo.
Não pretendo ser pedante com esta conversa, apenas sublinhar que a realidade é muito, mas muito pior do que um simples processo de extinção demográfica linear, em que a cada geração perdemos apenas um bocadinho de terreno. O processo é mesmo exponencial! A cada geração, o declínio demográfico acelera cada vez mais em relação à geração anterior, com o bocadinho de terreno cedido a tornar-se cada vez maior, ano após ano. É por isso que o tempo urge!
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