Se "a natalidade não interessa para nada", então, porque diabo é que a ERC faz questão de punir os canais de televisão que passaram o anúncio anti-aborto do Miguel Milhão?
O Alexandre não diz isto, mas reparem, caros leitores: a argumentação da ERC de que o anúncio do Miguel Milhão não se enquadra no âmbito da publicidade comercial também se aplicaria aos anúncios da prevenção rodoviária, às campanhas contra o racismo, aos apelos à poupança da água, à reciclagem ou ao voto nas eleições. Ao longo dos anos, houve pelo menos dezenas de anúncios destas categorias em blocos comerciais a meio dos telejornais e das telenovelas. Portanto, o argumento da ERC não cola.
Isto não é regulação, é censura! A ERC, ao abrir estes processos sem precedentes, está efectivamente a censurar. Estão a ver porque é uma péssima ideia deixar o Estado mandar no que as pessoas podem dizer? É que o Estado não é uma entidade abstracta, muito menos benevolente... o Estado são as pessoas que estão no poder. E as pessoas, uma vez no poder, tendem a não querer abrir mão dele, pelo que farão tudo ao seu alcance para o preservar. Convencer os portugueses a não ter filhos é parte dessa estratégia: os filhos que não temos hoje serão os imigrantes que virão no futuro. Ou pior, que já nascerão portugueses. A ERC sabe disto perfeitamente. É por isso que não quer anúncios nas televisões a apelar a que não se matem mais bebés portugueses.
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