sábado, 17 de janeiro de 2026

Mais uma eleições, mais um "dia de reflexão"...


       Pois é, caros leitores, o tempo voa... amanhã será, novamente, dia de eleições. Desta feita, de eleições presidenciais. Diz a Lei Eleitoral abrilina... eeer... perdão, portuguesa que, entre hoje e amanhã até às 19h00, “não podem ser transmitidas notícias, reportagens ou entrevistas que de qualquer modo possam ser entendidas como favorecendo ou prejudicando um concorrente às eleições em detrimento ou vantagem de outro”.  

A mesma Lei acrescenta que “toda a actividade passível de influenciar, ainda que indirectamente, os eleitores quanto ao sentido de voto, bem como a exibição, junto das mesas de voto, de símbolos, siglas, sinais, distintivos ou autocolantes de quaisquer listas estão proibidas”.

A pena para os incumpridores pode chegar aos seis meses de prisão... e como agora prisões estão cheias de "jovens", meio-"jovens" e afins, eu vou optar pela preservação do último troço do meu aparelho digestivo - que, aliás, já sofreu o suficiente durante a época de Natal e fim de ano recentes -, e vou fazer apenas aquilo que faço sempre em véspera de eleições: apelar ao voto, i.e., à comparência dos leitores do TU(f) nas urnas.

Porquê, então, votar amanhã?

Desde logo e como eu tenho repetido constantemente ao longo dos anos, porque não votar é votar por omissão. Quando nós não votamos, há sempre muitas outras pessoas que votam. E, votando elas e não nós, são elas - e só elas - quem acaba por decidir o nosso destino colectivo.

Perante este argumento, há quem contraponha, ignorantemente: "ah, mas se houver muita gente a não votar, as eleições ficam postas em causa, pá"! Ficam? Como é que ficam, se a Constituição abrilina... ai, perdão, portuguesa é absolutamente clara a esse respeito? Ora, reparem:


Constituição da República Portuguesa

Artigo 152.º
Representação política
1. A lei não pode estabelecer limites à conversão dos votos em mandatos por exigência de uma percentagem de votos nacional mínima.

Traduzido para totós: quer votem 10 milhões de eleitores, quer votem apenas 10 pessoas, as eleições serão sempre consideradas válidas. SEMPRE! Metam isto nas vossas cabecinhas ocas e analfabrutas de uma vez por todas: apelar à abstenção é apelar à vitória de quem for votar! É dar o ouro todo ao bandido e ainda se congratular por isso!
 
Isto significa que quem não vota, consente. E, nesse sentido, repito novamente, não votar é votar por omissão. Os abstencionistas bem podem protestar, espernear e choramingar à vontade, porque a verdade é só uma: quem não vota, é tão responsável pela eleição dos pulhíticos como quem vota neles. Dizer o contrário é como dizer que um tipo que nunca fala com as mulheres merece ter uma namorada toda boazona. Ou que um tipo que não tem trabalho e que nem sequer anda à procura emprego merece ser promovido a chefe de secção. Não se pode renunciar a participar nos processos necessários para se atingir determinados fins e depois reivindicar direitos sobre esses fins. Não há um pingo de seriedade nas pessoas que agem desta forma!

E o que é válido para a abstenção também serve para os votos brancos/nulos, conforme esclarece a Comissão Nacional de Eleições:
 
   «O que é um voto em branco?
 
    É aquele cujo boletim não contenha qualquer marca ou sinal.
 

     O que é um voto nulo?
 
    É aquele em cujo boletim de voto:

       - Tenha sido assinalado mais de um quadrado;
       - Haja dúvidas sobre qual o quadrado assinalado;
       - Tenha sido assinalado o quadrado correspondente a uma candidatura que tenha sido rejeitada;
          ou desistido das eleições;
       - Tenha sido feito qualquer corte, desenho ou rasura;
       - Tenha sido escrita qualquer palavra.

O que acontece se numa eleição os votos brancos e/ou nulos forem superiores aos votos nas candidaturas?

Os votos em branco, bem como os votos nulos, não sendo votos validamente expressos, não têm influência no apuramento do número de votos obtidos por cada candidatura e na sua conversão em mandatos.

Ainda que o número de votos em branco ou nulos seja maioritário, a eleição é válida e os mandatos apurados tendo em conta os votos validamente expressos nas candidaturas.
»

...Ou seja, mais uma vez: votar branco/nulo é, na prática, votar por omissão!
 
Quem não vota ou vota branco/nulo, consente. Bem podem os iludidos e os que votam branco/nulo protestar que "não consentem coisa nenhuma" e que "só não alinham na palhaçada democrática" porque, na prática, consentem e alinham de bom grado: os votos não apurados não representam nada de concreto, nenhuma posição ou tendência política em particular. Nem poderiam representar nada, porque não há forma legítima de atribuir intenções a quem não vai votar, muito menos a um voto branco/nulo. Há uma multiplicidade de motivações possíveis para se abster ou votar branco/nulo, pelo que ninguém pode atribuir a esses "não-votos" um significado particular. Não adianta insistir no contrário, porque as coisas só têm valor quando têm efeitos práticos e a abstenção/brancos/nulos não têm efeito prático nenhum. Não causam, nem poderão alguma vez causar qualquer mossa aos partidos que não queremos ver no poder. Pelo contrário, até os favorecem, porque quanto menos votos contra eles houver, maior será a sua percentagem relativa no resultado final do sufrágio. Por isso, deixem de sonhar acordados: não vai haver nenhuma revolução ou mudança radical de regime só por causa da abstenção ou dos votos brancos/nulos; tal coisa nunca aconteceu no mundo civilizado, pelo que muito dificilmente vai acontecer aqui em Portugal, onde nunca nada acontece primeiro.

É preciso lembrar ainda que não se vota apenas para escolher um determinado candidato, vota-se também para impedir ou para mitigar a hegemonia dos outros partidos/candidatos. E que, quando votamos, estamos a dar maior visibilidade política e mediática não apenas ao partido em que votamos, mas também ao movimento ideológico a que ele pertence. Isto não é coisa pouca, porque há ideias e conversas que só entram no espaço público se forem trazidos por certos intervenientes, mesmo que esses intervenientes tenham poucas hipóteses de vencer. Muitos teimam em não perceber isto: muito do que é aceitável hoje em dia não o era há apenas uns anos atrás. E só se tornou aceitável hoje em dia porque houve alguém que teve a coragem de, nalgum momento passado, quebrar tabus. E, sobretudo, porque houve muitas pessoas que recompensaram essa coragem com o seu voto.

Vocês podem sempre optar por fazer como o fulano da imagem que se segue. Mas depois não se podem queixar de que ficou tudo na mesma. Lamento, mas não podem! Cruzar os braços e não fazer nada não é uma estratégia de actuação válida! Estas coisas são como os jogos de futebol: não podemos marcar golos estando sentados no banco de suplentes. Aliás, a analogia ainda é mais grave do que isso, o fulano na imagem abaixo nem sequer respondeu à convocatória, nem sequer compareceu no terreno de jogo, mas julga que pode influenciar o resultado de forma decisiva! Tal é o nível de alucinação desta gente!!!

 

6 comentários:

Durius disse...

Já agora, hoje foi assinado o acordo com a Mercosur que ainda tem que ser aprovado no parlamento mas gostei deste comentario no reddit:

Boa destruição da agricultura europeia.

Aqui regulam tudo ao milímetro, agora vamos importar comida que não é controlada só porque assim a Europa tem bens meio cêntimo mais baratos.

Continuam a empurrar dinheiro e empregos para fora da zona euro e acham que assim é que estão bem



No entanto, eu tenho familia ligada á agricultura e etc... aqui no norte, e confesso que é uma área governada toda ela por pessoas que nao deviam la estar, e isto é ser simpático. Para alem de que sao dos que importam mais mao de obra barata.

Afonso de Portugal disse...

Tudo verdade, infelizmente. Aliás, basta ver quem é que está contente com o acordo, todos os liberais e globalistas de uma forma geral.

Quando entrámos para a CEE, em 1986, dizia-se exactamente a mesma coisa, que o mercado comum ia enriquecer toda a gente e que a agricultura portuguesa ia dar um salto do caraças. Depois, foi o que se viu: quotas em tudo e mais alguma coisa, subsídios para não se plantar, e os grandes proprietários europeus a dizimar os outros todos.

Vai ser exactamente isso o que vai acabar por acontecer com o acordo com o Mercosul. A longo prazo, tenderão a vingar apenas os grandes produtores dos dois lados do atlântico, todos os outros serão simplesmente aniquilados. E isso, segundo os liberais e direitinhas cá do sítio, “será bom para todos”. O problema é que o que eles dizem tende a ser sempre ao contrário, i.e., não será bom para praticamente ninguém…

Durius disse...

Já agora, não te quero chatear mas queria saber que conselho me darias naquela situação:

Resumindo: Eu trabalhei uns meses, conheci a rapariga, ela tinha namorado, tem la um zuca na empresa que ja se fazia a ela mas que eu saiba nao aconteceu nada, ele este mes esta de ferias, no entanto ela ficou solteiro pelo menos desde dezembro.
Ja fiz uma investida inicial, e perguntei por um cafe como ex colegas, ela disse que tava doente e nao deu outra data. Ela responde muito demorado mas responde sempre e é cordeal.

Eu nao me importo de esperar, ando a sair com outras neste momento, mas queria saber qual achas a melhor coisa a fazer, a jogada óptima em teoria do jogo quase. Ela raramente posta e nao da muita bola, achas que se eu agora enviar do nada um convite para um cafe seria sensato ou não é uma boa jogada? Ter em atencao que estas 2 semanas estará sempre a chover, eu nao tenho informacao se ela ja esta fora do ex a 100% ou nao, se ta em filmes com alguem e se o zuca vai voltar entretanto. Que dizes?

Nao tenho nada a perder, ela esta como uma background option mas é a que tem mais potencial para algo sério, mas ao mesmo tempo nao sei se devo ou nao arriscar.

Afonso de Portugal disse...

Acho sinceramente que ainda é muito cedo para voltares a tentar, sobretudo dada a falta de entusiasmo da parte dela. Se ela ficou solteira em Dezembro, o mais provável é que ainda não esteja pronta para nada sério, por isso deves avançar super-devagar. Tens de lhe dar tempo para sentir a tua falta. Eu só voltaria a tentar no início de Fevereiro.

Não conhecendo a moça pessoalmente, eu não posso dar-te conselhos definitivos. O que eu sei é que, em geral, as mulheres não gostam de gajos extremamente insistentes. Se ainda só tentaste uma vez, acho que podes voltar a tentar. Mas se já tentaste duas ou mais vezes, a probabilidade de teres sucesso é baixa.

Durius disse...

"Acho sinceramente que ainda é muito cedo para voltares a tentar, sobretudo dada a falta de entusiasmo da parte dela. Se ela ficou solteira em Dezembro, o mais provável é que ainda não esteja pronta para nada sério, por isso deves avançar super-devagar. Tens de lhe dar tempo para sentir a tua falta. Eu só voltaria a tentar no início de Fevereiro."

Parece bem, entretnato como ela posta pouco tenho que responder a todas as stories dela.

"Se ainda só tentaste uma vez, acho que podes voltar a tentar. Mas se já tentaste duas ou mais vezes, a probabilidade de teres sucesso é baixa."

Tinha-lhe falado de um cafe porque ela me tinha perguntado uma coisa que eu nao queria dizer por mensagem, mas era de forma amigavel, ela na altura estava com o ex e nada fazia prever isso, ela concordou mas nunca nos encontramos ate porque eu tambem nao lhe disse mais nada. Portanto em inicios de janeiro foi a primeira verdadeira investida.

Afonso de Portugal disse...

«tenho que responder a todas as stories dela.»

Perdoa a minha ignorância de Gen X, mas o que é uma "story"?


«Portanto em inicios de janeiro foi a primeira verdadeira investida.»

Ah, OK. Então parece-me que ainda podes voltar a tentar sem problemas. Tenta ser o mais casual possível, não dês a entender demasiado interesse, age como se fosse apenas um café entre amigos.