Não tencionava falar disto mas, para minha grande surpresa, tenho visto alguns nacionalistas e conservadores a defender o comportamento do madeirense.
Tenho mesmo de discordar: pela parte que me toca, o historial não é, nem nunca pode ser, garantia de perpetuidade.
É verdade que o CR7 serviu a selecção pretoguesa como poucos, mas também é verdade que o CR7 já devia ter abandonado a selecção pretoguesa há pelo menos 5 anos.
O nome e o desempenho de Portugal têm de estar sempre acima de qualquer vedeta, mesmo daquelas que têm um historial inigualável. Ou, como se costuma dizer, “os cemitérios estão cheios de insubstituíveis”.
Se o Jesus da Amadora armou ou não uma cilada ao madeirense, eu não sei. Mas sei que o trabalho do Jesus da Amadora só poderá ser julgado no final da participação de Portugal na Liga das Nações, não antes. Em 1995, o seleccionador francês Aimé Jacquet foi duramente criticado por deixar de convocar o arruaceiro Eric Cantona para a selecção francesa. Na altura, o Cantona era a maior vedeta da França, mas o Jacquet percebeu que o seu comportamento era demasiado errático e imprevisível para fazer dele um capitão fiável. E o Cantona não fez mesmo falta nenhuma: a França acabou por se sagrar campeã mundial em 1998.
Não estou a dizer que o Jesus da Amadora fará o mesmo com Portugal. Apenas que, a meu ver, o Jesus da Amadora merece o benefício da dúvida. E o Ronaldo, por sua vez, merece a reforma dourada que já conquistou. Mas não a titularidade ad aeternum na selecção. Ninguém é eterno, excepto Deus, segundo alguns... mas eu até disso desconfio!

