A pergunta é supostamente feita num livro publicado recentemente, sendo que a Helena responde: "os intelectuais enganam-se porque querem e porque acreditam mais no seu ascendente do que na livre iniciativa."
Isto é uma forma extremamente benevolente de pôr a coisa. A verdade é muito mais feia: os "intelectuais" "enganam-se" porque são ideólogos, não intelectuais. Um intelectual é, supostamente, alguém que recorre à razão e ao método científico para explicar a realidade e que aceita as evidências independentemente de elas colidirem ou não com as suas convicções pessoais.
Ora, a maioria dos "intelectuais" da nossa praça não se encaixa nesta definição. Pelo contrário, eles partem quase sempre das suas próprias conclusões estabelecidas a priori, para depois distorcerem as evidências, muitas vezes de uma forma absolutamente grosseira, numa tentativa desonesta de sustentar essas conclusões. Por outras palavras, eles viciam o método científico, invertendo a ordem entre a formulação da hipótese (passo 3 nesta lista) e a retirada de conclusões (passo 6 nesta lista).
Por (de)formação ideológica, os (neo)marxistas são particularmente expeditos nesta "arte" de viciação do método científico, o que explica que haja tantos pseudo-intelectuais de Esquerda armados em cientistas nas nossas universidades e centros de investigação. Mas eu aqui culpo sobretudo a Direita, que continua, ao fim de mais de um século desde que o degenerado do Gramsci preconizou a "hegemonia cultural", incapaz de compreender a necessidade de disputar as instituições capturadas pela Esquerda.
