segunda-feira, 20 de julho de 2026

Sobre a crónica mais recente do José Manuel Fernandes a propósito da imigração


        Não posso deixar de fazer um comentário à crónica semanal mais recente do José Manuel Fernandes (JMF) no Observador da direitinha. Custa-me muito bater em pessoas como o JMF, porque ele é dos poucos em toda a (in)comunicação xuxial que vai falando da imigração e até dizendo umas coisas acertadas aqui e ali. Mas o grande problema é que aquilo ele diz, geralmente, não vai longe o suficiente. E, ao não ir longe o suficiente, o que ele vai dizendo ou escrevendo torna-se mais ruído do que substância, porque as verdadeiras causas da imigração ficam por identificar, sendo substituídas por espantalhos e por moinhos de vento quixotescos.

Por exemplo, a certa altura do seu artigo, o JMF escreveu isto: 

 

«Se de um lado nos podem chocar simplificações do género “Portugal não é o Bangladesh Bangladeche”, do outro lado também nos deveria chocar a ideia de que não receber todos de braços abertos é pouco menos do que aderir a uma narrativa “desumana e impiedosa” (Paulo Muacho, do Livre, sexta-feira passada no Parlamento). Tal como também não deixa de impressionar a conversão da esquerda à ideia de que a economia justifica tudo, argumentando que sem imigração não haverá crescimento económico (Mário Centeno na CNN)

 

Só que aqui impunha-se clarificar: porque é que a Esquerda insiste tanto na imigração? Será mesmo piedade e humanismo como diz o sonso do Livra? Será mesmo uma questão estritamente económica, como afirma o xuxa Centeno?

Ou será algo muito mais sinistro e até já abertamente assumindo por alguns esquerdistas? Porque será que praticamente toda a Esquerda Ocidental é a favor da imigração? E porque será que o JMF nunca discute isso? 

Pouco depois, o JMF diz o seguinte:

 

«Atente-se neste estudo francês onde se nota que apenas 60% dos imigrantes com origem magrebina com idades entre os 15 e os 64 anos e que não são nem estudantes nem reformados estão a trabalhar, contra uma média de 80% dos franceses sem ascendência migratória, sendo que essa diferença não é sempre a mesma quando olhamos para cada comunidade: a taxa de emprego dos portugueses consegue ser ainda mais alta do que a dos franceses (81,7%), mas já haitianos e paquistaneses ficam no pólo oposto (menos de 52%). Ou seja, é um absurdo encarar todas as vagas imigratórias como meras e encantatórias encarnações multiculturais do mítico português da “mala de cartão”.

Em Portugal não existem, que eu saiba, estudos equivalentes porque entre nós prefere-se governar por percepções inspiradas por preconceitos políticos. É por isso, por exemplo, que não temos estatísticas da criminalidade que permitam confirmar ou infirmar quer a percepção politicamente correcta de que vivemos num paraíso, quer os receios mais viscerais de quem deixou de frequentar zonas onde a presença de imigrantes é mais notória. Temos por isso de nos cingir ao que vamos sabendo de outros países e o que vamos sabendo é que há mesmo mais criminalidade entre as comunidades imigrantes.»

 

"Percepções inspiradas por preconceitos políticos"??? Ó JMF, sinceramente, mas quais percepções! Tu sabes perfeitamente que os (des)governos do centrão (PS + PSD) não publicaram as estatísticas de criminalidade separadas por raça/etnia porque essas estatísticas arrasariam completamente muitos dos argumentos pró-imigração da Esquerda e da direitinha!

E os portugueses não passaram a evitar as "zonas onde a presença de imigrantes é mais notória" apenas por receio! Nós passámos a evitar essas zonas por sabermos perfeitamente - tal como tu sabes - que a probabilidade de sermos assaltados, agredidos ou até assassinados nessas zonas é extremamente elevada! Não se trata de receio, da mesma forma que não querer saltar para dentro de um caldeirão a ferver é apenas receio! Trata-se de experiência de vida repetidamente confirmada! Trata-se de evidência empírica, não de simples receio!

Continua a haver, por parte do JMF e da generalidade dos direitinhas da nossa praça, uma infantilização condescendente do povo português e da realidade vivida todos os dias pelo povo português. E isso, a meu ver, é o mais imperdoável de tudo na direitinha, o relativizar e até descartar os problemas das pessoas comuns só porque eles, os direitinhas, não vivem nem conhecem as consequências desses problemas!

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