terça-feira, 1 de setembro de 2026

«Helena Matos: Porque se enganam quase sempre os intelectuais?»


         A pergunta é supostamente feita num livro publicado recentemente, sendo que a Helena responde: "os intelectuais enganam-se porque querem e porque acreditam mais no seu ascendente do que na livre iniciativa."
 
Isto é uma forma extremamente benevolente de pôr a coisa. A verdade é muito mais feia: os "intelectuais" "enganam-se" porque são ideólogos, não intelectuais. Um intelectual é, supostamente, alguém que recorre à razão e ao método científico para explicar a realidade e que aceita as evidências independentemente de elas colidirem ou não com as suas convicções pessoais.
 
Ora, a maioria dos "intelectuais" da nossa praça não se encaixa nesta definição. Pelo contrário, eles partem quase sempre das suas próprias conclusões estabelecidas a priori, para depois distorcerem as evidências, muitas vezes de uma forma absolutamente grosseira, numa tentativa desonesta de sustentar essas conclusões. Por outras palavras, eles viciam o método científico, invertendo a ordem entre a formulação da hipótese (passo 3 nesta lista) e a retirada de conclusões (passo 6 nesta lista).
 
Por (de)formação ideológica, os (neo)marxistas são particularmente expeditos nesta "arte" de viciação do método científico, o que explica que haja tantos pseudo-intelectuais de Esquerda armados em cientistas nas nossas universidades e centros de investigação. Mas eu aqui culpo sobretudo a Direita, que continua, ao fim de mais de um século desde que o degenerado do Gramsci preconizou a "hegemonia cultural", incapaz de compreender a necessidade de disputar as instituições capturadas pela Esquerda.
 
 

2 comentários:

Durius disse...

Pensei logo no Carlites Days com isto.

Podia ser o rei dos nacionalistas no youtube, escolheu ir para o nicho com os seus compadres do yes man.

Afonso de Portugal disse...

Ele nunca foi um de nós. Ele simplesmente achou que poderia ter futuro no Chega e por isso fez alguns vídeos a elogiar o Ventura.

Assim que o Mithá saiu, a máscara caiu. Mas a verdade é que já tinha caído muito antes, para quem estivesse atento: proclamar-se "anticomunista" mas depois dizer que "o comunismo foi benéfico"; dizer bem do Jordan Peterson mas depois louvaminhar personalidades que o Jordan Peterson condenou publicamente (Derrida, Marcuse, Foucault, etc.); dizer-se a favor da liberdade de expressão mas depois defender a censura das redes sociais; fazer questão de chamar doutor ao Luís Neves, que é apenas licenciado, mas depois chamar simplesmente André Ventura ao líder do Chega, que é mesmo doutorado; dizer-se a favor do Ocidente, mas depois elogiar o Kissinger e outros eleitos... enfim, eu podia passar aqui o dia todo a lista as contradições desse traste.

E depois ainda temos o elitismo pacóvio e o desprezo figadal pelo povo português, como se ele fosse grande espingarda!

Fez de nós parvos, a criatura. Pela minha parte, não terá perdão! Para mim, o Carlites representa o que de pior temos em Portugal...